Sonda vê fontes de vapor dágua em lua de Saturno
5 de dezembro de 2008 - 09:46
Jato sai de líquido capaz de abrigar vida sob o solo
Ricardo Bonalume Neto escreve para a “Folha de SP”:
A sonda espacial Cassini praticamente confirmou que uma das luas de Saturno, Encélado, tem água debaixo da superfície ao revelar a existência de quatro jatos supersônicos de vapor d’água dentro de um gêiser localizado no pólo sul do satélite.
A água líquida -que sempre leva à especulação sobre a existência de alguma forma de vida- já tinha sido considerada inviável em Encélado, que tem apenas 500 km de diâmetro e uma superfície com -200C.
O reforço à hipótese contrária agora está descrito em estudo na revista “Nature” liderado por Candice Hansen, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia). “Os jatos de vapor saem com uma velocidade supersônica, o que é consistente com um modelo que postula que o vapor vem de água líquida debaixo da superfície, através de canais, como esguichos”, disse Hansen à Folha. “Há também metano vindo com o gêiser, por isso dizemos que há compostos orgânicos simples.”
Segundo a cientista, Encélado está cuspindo tanto material do seu interior que uma sonda mais moderna, no futuro, pode tentar achar sinais diretos de vida.
A primeira observação do gêiser já havia sido feita pela Cassini em 2005. O vapor escapava de fissuras na superfície. Os cientistas especularam que o calor interno da pequena lua viria de oscilações no chamado efeito de maré -distorções causadas pela gravidade do planeta que ela orbita. Uma segunda observação permitiu produzir novas conclusões.
O efeito de maré varia com a posição de Encélado em sua órbita em Saturno. A oscilação modificaria a largura das fissuras da crosta da lua e afetaria a quantidade de água expelida. Do mesmo modo, o jato d’água duma mangueira vai mais longe quando apertamos sua boca.
Os jatos supersônicos descobertos agora, porém, contrariam previsões feitas sobre o comportamento do gêiser, mas um novo modelo teórico “poderá resolver a discrepância”, dizem os autores do estudo.
(Folha de SP, 27/11)
Fonte: Jornal da Ciência 3650, 27 de novembro de 2008.