Falsa promoção de saúde em alimentos ultraprocessados com adição de proteína
17 de março de 2026 - 06:13
Noticia de nossa bolsista FUNCAP SABRYNNA KELLY LEITE DE OLIVEIRA.
Você já deve ter percebido que a proteína se tornou a protagonista de anúncios publicitários recentes. O avanço da industrialização permitiu que alguns subprodutos resultantes da fabricação de alimentos, antes pouco valorizados, ganhassem novos usos comerciais. Um exemplo é o soro do leite, que décadas atrás era frequentemente descartado pelas indústrias, mas hoje lidera um mercado bilionário de suplementos e produtos “fitness”, associados a um ideal de estilo de vida saudável, influenciado pelas mídias sociais.
Entretanto, é importante destacar que o apelo à saúde nem sempre reflete a real qualidade desses alimentos. Um relatório de pesquisa do Instituto de Defesa de Consumidores (IDEC), publicado em 2025, revelou uma contradição entre os produtos analisados: alimentos que antes eram minimamente processados ou processados, tornaram-se ultraprocessados apenas para atender a demanda por produtos “ricos em proteína”. Como consequência, as versões reformuladas passaram a apresentar listas de ingredientes mais extensas do que as suas versões tradicionais, incluindo aditivos de uso exclusivamente industrial, como aromatizantes e estabilizantes.
Como destaca o IDEC, essa estratégia da indústria é preocupante, pois pode estimular o consumo excessivo de ultraprocessados, frequentemente associados a um maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e obesidade. Além disso, esse tipo de publicidade em torno desses produtos pode induzir o consumidor a acreditar que a opção industrializada representa uma escolha mais saudável, quando, na realidade, o ideal seria priorizar alimentos in natura ou minimamente processados. Dessa forma, a simples adição de um nutriente considerado benéfico em um produto industrializado não o torna automaticamente uma opção mais saudável, uma vez que o grau de processamento também pode influenciar diretamente a sua digestibilidade, absorção e utilização pelo organismo.
Portanto, a leitura atenta da lista de ingredientes e a observação do nível de processamento dos produtos são fundamentais, especialmente para quem busca uma alimentação mais equilibrada. Paralelamente a isso, é necessário que os órgãos reguladores e fiscalizadores continuem reforçando suas ações de monitoramento, a fim de garantir que as alegações nutricionais presentes nos rótulos e embalagens sejam claras, verdadeiras e não induzam o consumidor ao erro. Por fim, vale lembrar a regra de ouro do Guia Alimentar para a População Brasileira: sempre que possível, dê preferência a alimentos in natura ou minimamente processados, pois estes compõem a base de uma alimentação nutricionalmente balanceada e saborosa.
Clique aqui e confira na íntegra o Relatório de Pesquisa do IDEC (2025): IDEC ultraprocessados proteínas