Uece promove III Elas na Ciência e reforça protagonismo feminino na pesquisa
13 de março de 2026 - 17:12
A Universidade Estadual do Ceará (Uece), por meio da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPGPq), realizou, na manhã desta sexta-feira (13), a terceira edição do evento Elas na Ciência, iniciativa que integra as ações em alusão ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência. O encontro também marcou a segunda edição do Prêmio Elas na Ciência, que reconhece pesquisadoras da instituição pelo impacto de suas trajetórias acadêmicas.
Com o tema “Da iniciação científica à liderança acadêmica”, a edição de 2026 promoveu reflexões sobre os desafios, as conquistas e os caminhos percorridos por mulheres na ciência, reforçando a importância de incentivar a permanência e o protagonismo feminino na pesquisa científica.
A abertura do evento contou com a presença do reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares; da secretária da Ciência, Tecnologia e Educação Superior do Ceará (Secitece), Sandra Monteiro; do vice-reitor da Uece, Dárcio Teixeira; da vice-reitora da Universidade Regional do Cariri (Urca), Maria do Socorro Lopes; do presidente da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), Raimundo Costa; e da pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Uece e coordenadora do evento, Ana Paula Rodrigues; e a coordenadora do Núcleo de Atendimento Humanizado a Mulheres Vítimas de Violência (NAH/Uece, Teresa Esmeraldo.
Durante a abertura, o reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares, destacou que a discussão sobre a presença feminina na ciência está diretamente ligada à garantia de direitos e à superação de desigualdades históricas. Para ele, iniciativas como o evento têm papel fundamental no enfrentamento de estruturas sociais que ainda impactam a participação das mulheres. “Nós estamos falando sobre direitos, é sobre igualdade de direitos”, afirmou.
O reitor ressaltou que a sociedade brasileira ainda carrega marcas profundas de uma formação patriarcal e que a transformação desse cenário exige mobilização contínua. Segundo o gestor, encontros como o Elas na Ciência ajudam a dar visibilidade ao protagonismo feminino na produção do conhecimento e a estimular novas gerações: “Eventos como esse valorizam o papel das mulheres e das meninas na ciência e fazem parte do movimento de luta permanente”. Professor Hidelbrando também destacou o compromisso institucional da Uece com a ampliação da participação feminina em espaços de liderança acadêmica, defendendo que as universidades têm responsabilidade na construção de uma cultura baseada na equidade e no respeito.
A secretária da Secitece, Sandra Monteiro, ressaltou que, apesar dos avanços, ainda há desafios para ampliar a presença feminina nos espaços de liderança acadêmica e científica. “Celebramos as mulheres na ciência, mas sabemos que ainda precisamos avançar”, afirmou. Para a gestora, fortalecer redes de apoio e desenvolver políticas institucionais que garantam condições de permanência são medidas fundamentais. “Não basta avançar apenas no conhecimento; é preciso garantir que as mulheres estejam também nos espaços de decisão”, destacou.
Na mesma linha, o vice-reitor da Uece, professor Dárcio Teixeira, também destacou que iniciativas como o Elas na Ciência são fundamentais para incentivar cada vez mais a participação feminina na pesquisa; e ressaltou a importância da participação masculina nesse debate, defendendo que homens e mulheres devem atuar juntos na promoção da equidade no ambiente acadêmico.
A pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da Uece e coordenadora do evento, professora Ana Paula Rodrigues, enfatizou que a iniciativa busca não apenas celebrar conquistas, mas também refletir sobre desigualdades ainda presentes no meio acadêmico. Segundo ela, embora as mulheres representem 57% das pessoas com título de doutorado no Brasil, elas ainda são minoria entre pesquisadores e docentes do país, além de estarem menos presentes nos níveis mais altos da carreira científica. “Temos um percentual maior de mulheres com doutorado, mas quando olhamos para os cargos de pesquisadoras e para os níveis mais altos da carreira científica, esse número diminui”, observou. Para a pró-reitora, o evento é também uma forma de valorizar o papel das pesquisadoras da instituição. “É um momento de reafirmar o quanto são importantes as mulheres que constroem a nossa Universidade Estadual do Ceará”, afirmou.
A programação foi estruturada em diferentes momentos de diálogo e compartilhamento de experiências. Um dos destaques foi o espaço dedicado às jovens pesquisadoras, que apresentaram suas trajetórias acadêmicas, desafios e motivações para ingressar e permanecer na ciência. Tânia Lima, Alessandra Bezerra e Mikaele Cavalcante se emocionaram ao compartilhar um pouco de suas histórias com o público. Também houve um momento de interação entre as jovens pesquisadoras e cientistas experientes, promovendo um diálogo intergeracional sobre liderança, permanência e oportunidades para mulheres na pesquisa. Participaram desse momento, a professora Ana Augusta Ferreira de Freitas, da Uece; a professora Cláudia do Ó Pessoa, da Universidade Federal do Ceará (UFC); e a professora Letícia de Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), que, na sequência, enquanto pesquisadoras sêniores, compartilharam suas trajetórias acadêmicas e experiências na construção de carreiras científicas consolidadas.
Professora Letícia, que é neurocientista, presidente da Comissão de Equidade, Diversidade e Inclusão da Faperj e membro da Comissão Permanente de Equidade de Gênero da UFF foi também a conferencista principal. Em sua avaliação, a pesquisadora destacou a relevância de iniciativas que ampliem o debate sobre desigualdades na ciência. “O evento de hoje é fundamental para que possamos aprofundar as questões de desigualdade de gênero e raça na ciência e na sociedade como um todo”, afirmou. Segundo ela, a análise de dados, experiências e trajetórias contribui para a formulação de políticas públicas capazes de transformar esse cenário. A pesquisadora também deixou uma mensagem para jovens cientistas: “Venham para a ciência, porque a ciência precisa de vocês”.
Um dos momentos mais aguardados da programação foi a entrega do Prêmio Elas na Ciência, que reconhece pesquisadoras da Uece em duas categorias, Estímulo e Trajetória, contemplando três grandes áreas do conhecimento: Ciências da Vida; Ciências Exatas, da Terra e Engenharias; e Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes. A iniciativa busca valorizar a contribuição de pesquisadoras da instituição para o avanço da ciência, da tecnologia e da inovação. As vencedoras foram anunciadas pela diretora de pesquisa da PROPGPq, professora Célia Sampaio:
Ao avaliar a terceira edição do evento, a coordenadora Ana Paula Rodrigues destacou o caráter democrático da programação deste ano, que aproximou jovens pesquisadoras de cientistas com carreira consolidada. Segundo ela, os diálogos entre diferentes gerações mostraram que a troca de experiências é enriquecedora para todas as participantes. “Foi muito gratificante ver pesquisadoras experientes afirmando que também aprendem com as jovens cientistas”, comentou.
Para a pró-reitora, o encontro se consolida como um espaço permanente de reflexão e valorização da presença feminina na ciência. A expectativa é que a iniciativa continue crescendo nos próximos anos. “Esperamos que a quarta edição seja ainda mais forte, pois o evento passará agora a integrar o calendário institucional da universidade”, afirmou.
Ao final do encontro, a organização destacou que promover a equidade de gênero na ciência é um compromisso institucional contínuo, fundamental para fortalecer a produção científica e ampliar a presença feminina nos espaços de liderança acadêmica.












