Serra de Maranguape é área-chave para conservação de anfíbios e répteis, aponta pesquisa

5 de janeiro de 2026 - 10:49

 

Adelophryne maranguapensis. Foto: Robson Ávila

O estudo científico Herpetofauna from a Caatinga’s Brejo de altitude in Northeast Brazil, recém-publicado na revista Studies on Neotropical Fauna and Environment, revelou que a Serra de Maranguape, no Ceará, está entre as áreas mais importantes para a conservação da herpetofauna (anfíbios e répteis) das Caatingas. A pesquisa reúne dados coletados ao longo de mais de 30 anos e apresenta um dos inventários mais completos já realizados sobre anfíbios e répteis em um brejo de altitude inserido no semiárido.

O trabalho identificou 85 espécies, sendo 33 de anfíbios e 52 de répteis, incluindo espécies endêmicas, raras e ameaçadas de extinção, como é o caso da rãzinha de Maranguape (Adelophryne maranguapensis). Os resultados mostram que a diversidade da Serra de Maranguape é comparável (e em alguns casos, superior) à de outras unidades de conservação da Caatinga, reforçando seu papel como um refúgio de biodiversidade em meio ao ambiente semiárido.

A pesquisa foi desenvolvida por uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores de diferentes instituições, com destaque para a participação dos professores e pesquisadores da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Déborah Praciano Castro, da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), e Daniel Cassiano Lima, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), que atuaram de forma decisiva na construção do conhecimento científico sobre a região. O estudo também contou com dados históricos provenientes de coleções científicas, especialmente do Núcleo Regional de Ofiologia da Universidade Federal do Ceará (UFC), evidenciando a importância dessas coleções para a ciência e a conservação.

De acordo com os autores, a Serra de Maranguape abriga uma combinação única de espécies típicas da Caatinga, espécies amplamente distribuídas e espécies restritas aos brejos de altitude, ambientes úmidos que funcionam como ilhas de floresta em meio ao semiárido. Entre os destaques está a presença de espécies classificadas como ameaçadas e criticamente ameaçadas, o que torna a área prioritária para ações de conservação.

Apesar de sua relevância ecológica, a Serra de Maranguape sofre com pressões antrópicas, como desmatamento, expansão agrícola, turismo desordenado e especulação imobiliária. Os autores alertam que a perda desses ambientes pode resultar na extinção local, e até global, de espécies altamente especializadas.

O estudo reforça que conhecer a biodiversidade é o primeiro passo para protegê-la e aponta a Serra de Maranguape como um dos principais hotspots de conservação da herpetofauna da Caatinga, destacando a urgência de políticas públicas eficazes voltadas à proteção desse patrimônio natural. Ele também alerta para a importância do investimento em estudos de ecologia básica e coleções científicas, dado que esses instrumentos podem ajudar a salvaguardar o conhecimento sobre a diversidade biológica.

Mais informações sobre o trabalho podem ser encontradas no seguinte link: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/01650521.2025.2519576