Professores da Uece participam de novo mapeamento do relevo brasileiro realizado pelo IBGE , que reconhece montanhas no Ceará

4 de novembro de 2026 - 11:30

 

Os professores Francisco Leandro de Almeida Santos, da Faculdade de Filosofia Dom Aureliano Matos (Fafidam), unidade da Universidade Estadual do Ceará (Uece) em Limoeiro do Norte, e Davi Rodrigues Rabelo, também docente de Geografia da Uece, integram uma rede de aproximadamente 70 pesquisadores envolvidos no Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR). A iniciativa reúne o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), a União da Geomorfologia Brasileira (UGB) e especialistas em Geomorfologia de universidades de todas as regiões do país.

Essa cooperação científica resultou no novo Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil, divulgado pelo IBGE em 29 de outubro de 2026. O documento apresenta uma nova classificação do território brasileiro em cinco grandes categorias: montanhas, planaltos, superfícies rebaixadas, planícies e tabuleiros; constituindo uma importante referência para a pesquisa científica, o ensino de Geografia e o planejamento territorial e ambiental.

Mapa dos Macrocompartimentos de Relevo do Brasil. Fonte: IBGE (2026)

Nova classificação reconhece montanhas no Ceará
Um dos destaques do mapeamento é o reconhecimento de montanhas no território cearense. No Ceará, a nova classificação identifica seis conjuntos montanhosos: Serra da Meruoca, Serra de Uruburetama, Serra de Baturité, Serra das Matas, Maciços Centrais e Serra do Pereiro.

Segundo o SBCR, montanhas são formas de relevo com amplitude altimétrica superior a 300 metros em relação aos terrenos circunvizinhos, geralmente caracterizadas por vertentes íngremes e topos aguçados ou alongados (cristas). Sua ocorrência está normalmente associada a conjuntos contínuos dissecados, desenvolvidos em sistemas orogênicos ou áreas cratônicas.

De acordo com o pesquisadores da Uece, a nova classificação prioriza a forma do relevo, considerando a amplitude altimétrica e sua expressão espacial na paisagem, e não apenas a altitude em relação ao nível do mar ou sua associação a processos tectônicos recentes. Assim, o reconhecimento das montanhas cearenses resulta da adoção de critérios geomorfológicos atualizados, ampliando o conhecimento sobre as paisagens do estado e abrindo novas perspectivas para a pesquisa científica e o ensino de Geografia.

Macrocompartimentos de Relevo do Ceará, com destaque para seis conjuntos montanhosos. Fonte: IBGE (2026). Organização cartográfica: João Moura e Vanda Claudino-Sales (2026)

Participação científica da Uece
A atuação dos professores da Uece no desenvolvimento do Sistema Brasileiro de Classificação de Relevo (SBCR) também se destaca pela participação no 5º Workshop do SBCR, realizado entre os dias 4 e 6 de agosto de 2026, no Centro de Inteligência Corporativa do IBGE, no Rio de Janeiro. O encontro reuniu pesquisadores e especialistas de diferentes instituições brasileiras para avançar nas discussões científicas e metodológicas sobre a classificação do relevo nacional. Entre os principais temas debatidos estiveram o aprimoramento dos critérios de classificação e a definição dos próximos níveis taxonômicos do sistema, que permitirão representar, com maior detalhamento, a diversidade das formas de relevo em diferentes escalas de análise.

A participação dos docentes integra uma trajetória de colaboração científica com o IBGE. Em 2025, o professor Francisco Leandro de Almeida Santos participou da autoria do livro Montanhas e Planaltos da Borborema, Superfície Sertaneja e Inselbergs da Paraíba, publicado pelo instituto no âmbito das atividades do SBCR.

Para os professores Francisco Leandro de Almeida Santos e Davi Rodrigues Rabelo, suas presenças nessa rede nacional de pesquisa evidencia a contribuição da Universidade Estadual do Ceará para o avanço do conhecimento geomorfológico brasileiro, oferecendo subsídios ao planejamento territorial e ambiental do país, além de contribuir para a atualização dos livros didáticos e o aprimoramento do ensino de Geografia nas escolas.