Museu de História Natural do Ceará/Uece lança portfólio e destaca impacto social
24 de março de 2026 - 16:06
O Museu de História Natural do Ceará Prof. Dias da Rocha (MHNCE), vinculado à Universidade Estadual do Ceará (Uece), lança seu portfólio institucional, reunindo as principais ações, resultados e perspectivas do equipamento científico, que vem se consolidando como referência na pesquisa e na divulgação da biodiversidade no Nordeste.
Criado em 2019, o museu surgiu para suprir uma lacuna histórica no estado: a ausência de um espaço dedicado à preservação, estudo e divulgação da fauna e flora cearenses. Em poucos anos, o MHNCE já reúne um acervo com mais de 20 mil espécimes, distribuídos em coleções zoológicas e botânicas, além de apresentar uma expressiva produção científica, com mais de 130 artigos publicados e participação em dezenas de eventos acadêmicos.
Localizado em Pacoti, no Maciço de Baturité, o museu desempenha papel estratégico na interiorização da ciência, funcionando como um verdadeiro laboratório natural em uma área de grande relevância ecológica. Além da pesquisa, o MHNCE também desenvolve ações educativas e exposições que aproximam a população do conhecimento científico, contribuindo para a formação de novos pesquisadores e para a conscientização ambiental.
Um museu que preserva, pesquisa e conecta ciência e sociedade
O portfólio destaca que o MHNCE não é apenas um espaço de guarda de coleções, mas um centro ativo de produção de conhecimento. Seu acervo, que começou com cerca de 1.600 espécimes, já ultrapassa 20 mil exemplares, incluindo aves, mamíferos, insetos, répteis, anfíbios e plantas, organizados em 18 coleções científicas.
Entre os principais objetivos da instituição estão a ampliação das coleções biológicas, a formação de recursos humanos especializados, o fortalecimento da pesquisa científica e a contribuição para políticas públicas voltadas ao meio ambiente. O museu também atua diretamente na valorização do patrimônio natural do Ceará, evitando que materiais coletados no estado sejam enviados para outras regiões ou países.
Outro destaque é o impacto social e educacional das ações do MHNCE. Exposições, visitas técnicas e eventos científicos já alcançaram milhares de pessoas, incluindo estudantes de diferentes níveis de ensino, promovendo educação ambiental e despertando o interesse pela ciência.
Pesquisas científicas e outras contribuições da Uece por meio do MHNCE
Ao longo dos últimos anos, a Uece vem divulgando as contribuições do Museu, onde aqui destaca a descoberta de novas espécies, monitoramento de animais, restauração de figura cultural e exposições voltadas à educação ambiental:
Nova espécie de serpente

Pesquisadores do MHNCE/Uece, em parceria com outras instituições, participaram da identificação de uma nova espécie de jiboia. Embora essa nova espécie, a Boa atlantica, já fosse reconhecida pela comunidade científica e pela população em geral desde o século XVII, ela era classificada e reconhecida como a jiboia comum (Boa constrictor). A pesquisa, no entanto, revelou características morfológicas e genéticas distintas entre as espécies. E foi além: evidenciou que essa espécie é endêmica da Mata Atlântica e ocorre entre os estados do Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.
O estudo amplia o conhecimento sobre a biodiversidade local e reforça a importância de áreas naturais preservadas, como as presentes no Maciço de Baturité. Clique aqui para ler a matéria completa sobre esta pesquisa.
Monitoramento de coronavírus em animais silvestres

Pesquisas desenvolvidas com participação de cientistas do MHNCE/Uece investigaram a presença de coronavírus em animais silvestres no Ceará. O objetivo foi compreender possíveis interações entre vírus e fauna, contribuindo para a prevenção de futuras zoonoses. Na região do Eusébio, análises preliminares realizadas em morcegos não detectaram a presença do SARS-Cov-2 nos animais analisados. Entretanto, foi detectado outro tipo de coronavírus, que, apesar de não ter relação como a Covid-19, reforça a importância da vigilância em animais silvestres e no ambiente. Em Pacoti, os pesquisadores ampliaram o estudo para analisar a presença do coronavírus também em pequenos mamíferos terrestres, como roedores e marsupiais.
Esse tipo de estudo reforça a relevância do MHNCE como base para pesquisas interdisciplinares, que conectam biodiversidade, saúde pública e vigilância epidemiológica. Clique aqui para a ler matéria completa.
Nova espécie de ave

Uma expedição científica à Serra do Divisor, no extremo oeste do Acre, que contou com a participação do MHNCE/Uece, revelou a existência de uma nova espécie de ave para a ciência. A descoberta, publicada no periódico internacional Zootaxa, descreve a Tinamus resonans, conhecida como sururina-da-serra.
A nova espécie pertence ao grupo dos tinamídeos, aves de hábitos terrestres típicas da América do Sul, e foi registrada exclusivamente nas áreas mais altas da Serra do Divisor. Os pesquisadores identificaram combinações inéditas de plumagem, vocalização e características ecológicas, confirmando que se tratava de uma espécie ainda não descrita. Um dos aspectos mais marcantes é o canto dessa ave, formado por notas longas e potentes que ecoam pelas encostas montanhosas, criando um efeito acústico raro. Clique aqui para a ler matéria completa.
Restauração do Bode Ioiô

Em 2024, o MHNCE/Uece restaurou o Bode Ioiô, importante figura da cultura cearense. O bode Ioiô ficou muito famoso no Ceará após ter sido eleito vereador como forma de protesto político, em 1922. Quando morreu, o bode foi taxidermizado (empalhado) e inserido no acervo do Museu do Ceará/Secult. Após tantas décadas, muitas delas em exposição em Fortaleza no Museu do Ceará, o bode foi aos poucos se deteriorando e foi restaurado sob a responsabilidade do taxidermista Emerson Boaventura e coordenação de Marco Crozariol, do MHNCE. Clique aqui e aqui para a ler as notícias completas.
Exposição científica e educação ambiental em Pacoti

A realização de exposições gratuitas com acervos do museu tem permitido a aproximação entre ciência e comunidade, levando conhecimento científico a públicos diversos, incluindo estudantes da educação básica. Nas exposições, podem ser vistas peças de plantas, fósseis, mamíferos, aves, répteis, anfíbios e insetos. Alguns exemplares taxidermizados e em álcool, além de esqueletos secos, amostras de pele e estruturas anexas como crânios. Eventos, como a Semana do Meio Ambiente, contam com programação científica aberta ao público, composta por palestras, oficinas, trilhas guiadas e uma exposição dos espécimes do Museu.
Perspectivas e fortalecimento institucional
Com o lançamento do portfólio, o Museu de História Natural do Ceará Prof. Dias da Rocha/Uece reafirma seu compromisso com a ciência, a educação e a sociedade. A expectativa agora, segundo a coordenação, é seguir ampliando o acervo, fortalecer parcerias e consolidar o Ceará como um importante polo de pesquisa e divulgação da biodiversidade no Brasil.
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