Liga de Medicina da Uece aprova 20 trabalhos em congresso de transplantes em Portugal
28 de outubro de 2026 - 11:52
Em mais uma iniciativa voltada ao fortalecimento da produção científica e à internacionalização da formação médica, a Liga Acadêmica de Transplantes e Medicina Intensiva (LATMI), do curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece), participou do XVIII Congresso Português de Transplantação e XXIV Congresso Luso-Brasileiro de Transplantação, realizado entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro de 2026, no Convento de São Francisco, em Coimbra, Portugal.
A Liga obteve aprovação de 20 trabalhos científicos para o evento, dos quais 17 foram apresentados: nove na modalidade pôster e oito por apresentação oral. As pesquisas abordaram diferentes dimensões da transplantação, incluindo a organização dos sistemas de doação e transplantes, as desigualdades regionais no acesso aos procedimentos, os avanços tecnológicos, os desfechos clínicos e as perspectivas terapêuticas.
O evento reuniu pesquisadores, profissionais da saúde e especialistas da área de transplantes, constituindo um importante espaço de atualização científica, intercâmbio de experiências e discussão sobre os avanços, desafios e perspectivas da transplantação. A programação também proporcionou oportunidades para a divulgação de pesquisas e o compartilhamento de conhecimentos entre as comunidades científicas brasileira e portuguesa.
Representando a LATMI, os integrantes Anna Letícia Alves Bomfim e Edejonas Alves do Nascimento participaram do congresso, acompanhados pela orientadora da Liga Acadêmica, Ivelise Canito Brasil, e pelas professoras Paula Franssinetti Fernandes e Denise Carvalho de Andrade.
Para a Liga Acadêmica, a diversidade temática das pesquisas evidencia o compromisso da LATMI com a investigação científica de questões relevantes para a realidade brasileira, contemplando desde os desafios logísticos e estruturais dos sistemas de transplantes até o desenvolvimento de novas tecnologias e a análise de estratégias para ampliar o acesso aos procedimentos. Para os representantes da Liga, os estudos também ressaltam a importância da produção de evidências científicas que contribuam para o aprimoramento da assistência, a qualificação dos processos de doação e a redução das desigualdades regionais. Nesse contexto, as pesquisas sobre a realidade cearense assumem especial relevância ao dar visibilidade às experiências, aos avanços e aos desafios do estado no cenário nacional da transplantação.
De acordo com os participantes da Uece no Congresso, a presenta da LATMI no evento representa mais um marco na trajetória acadêmica da Liga, ampliando a visibilidade das pesquisas desenvolvidas no Ceará e favorecendo o diálogo com pesquisadores e profissionais de outros países. Para eles, essa participação reforça o papel das ligas acadêmicas na integração entre ensino, pesquisa e extensão, bem como na formação de profissionais comprometidos com a ciência. Os membros da Liga compreendem que, ao levar pesquisas desenvolvidas no contexto cearense para um espaço internacional de discussão científica, a LATMI reafirma seu compromisso com o fortalecimento da transplantação no Brasil e com a construção de uma formação médica crítica, qualificada e socialmente comprometida.
Os trabalhos científicos aprovados para o congresso foram:
– Ceará como hub transplantador no Norte-Nordeste: entraves logísticos no aceite de fígados da rede nacional e o uso de tecnologias de perfusão;
– Transplante hepático pediátrico no Ceará: um modelo de autossuficiência e referência regional no Norte-Nordeste;
– Doação de múltiplos órgãos em hospital de alta complexidade da rede pública do Ceará no ano de 2025: do potencial doador à efetivação;
– CXCL9 e CXCL10 como biomarcadores associados à disfunção crônica do enxerto pós-transplante pulmonar: revisão integrativa da literatura;
– Acesso ao transplante renal pediátrico no Nordeste brasileiro: iniquidades regionais, desafios logísticos e perspectivas;
– Entrevista familiar e acolhimento no processo de doação de órgãos e tecidos: desenvolvimento e validação de instrumento;
– Análise epidemiológica dos potenciais doadores e doadores efetivos de órgãos no Ceará entre 2001 e 2023;
– Desigualdades regionais no transplante cardíaco pediátrico: o cenário do Norte-Nordeste brasileiro;
– Panorama nacional do transplante de células-tronco hematopoiéticas em pacientes com anemia falciforme: uma análise da última década;
– Transplante de células-tronco de sangue de cordão umbilical e placentário no tratamento pós-infarto agudo do miocárdio: revisão integrativa;
– Internações por doença hepática alcoólica no Brasil antes e após a pandemia de Covid-19: tendências e implicações para o transplante hepático;
– Mortalidade por fibrose e cirrose hepática no Brasil (2014–2024): implicações para o transplante hepático;
– Disfunção diastólica precoce do xenoenxerto cardíaco suíno: mecanismos e perspectivas futuras;
– Análise epidemiológica dos transplantes de rins no Brasil entre 2001 e 2023;
– Transplante hepático no Brasil: evolução da fila ativa e dos transplantes realizados entre 2010 e 2023;
– Análise das atividades da equipe hospitalar de doação e transplantes (e-DOT) de um hospital público do Ceará na identificação de doadores de córneas;
– Desenvolvimento e validação de uma tecnologia digital para identificação e seleção de potenciais doadores de tecidos oculares;
– Desenvolvimento de procedimento operacional padrão para avaliação e seleção de potenciais doadores de córnea;
– Impacto da descentralização da captação de doadores no Ceará sobre a disponibilidade de tecidos musculoesqueléticos para transplante;
– Desfechos clínicos da perfusão ex vivo normotérmica versus armazenamento estático a frio no transplante cardíaco: uma revisão sistemática.

