Pesquisa da Uece busca adaptar criação de cabras e ovelhas às mudanças climáticas
26 de outubro de 2026 - 14:08
Pesquisa reúne instituições do Brasil, da Argentina e do Uruguai para desenvolver modelos de produção mais resistentes às mudanças climáticas
Pesquisadores da Faculdade de Veterinária (Favet) da Universidade Estadual do Ceará (Uece) tiveram um projeto aprovado na Chamada Pública MCTI/CNPq nº 02/2026, do Programa de Cooperação Latino-Americana e Caribenha em Ciência, Tecnologia e Inovação – PROSUL Pepe Mujica. A iniciativa busca desenvolver modelos de produção de ovinos e caprinos mais resistentes às mudanças climáticas, com foco na melhoria da produtividade, dos resultados financeiros para os criadores e da sustentabilidade ambiental da atividade.

Intitulado “Rede de pesquisa Brasil-Uruguay-Argentina sobre o uso de modelos sinérgicos no avanço da produção de pequenos ruminantes resiliente às mudanças climáticas”, o projeto é coordenado pelo professor do curso de Medicina Veterinária da Uece, Davide Rondina, que é também cientista-chefe da Agropecuária do Ceará, e conta com a participação dos professores Dárcio Ítalo Alves Teixeira e Ana Paula Rodrigues Ribeiro, vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPGCV) da Uece.
A proposta prevê a formação de uma rede de cooperação científica e acadêmica entre instituições dos três países. No Brasil, participam pesquisadores e instituições das regiões Nordeste, Norte e Sul. A colaboração internacional permitirá reunir conhecimentos e desenvolver estudos voltados à adaptação dos sistemas de criação de ovelhas e cabras aos impactos das mudanças climáticas.
De acordo com o coordenador, professor Davide Rondina, o desafio é produzir informações que contribuam para a adoção de práticas capazes de aumentar a resistência dos sistemas de criação aos efeitos das mudanças climáticas, favorecer a captura de carbono e reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Para isso, a pesquisa investigará aspectos relacionados à epigenética, ao metabolismo, ao comportamento e à reprodução dos pequenos ruminantes.
Em termos práticos, os estudos buscam compreender como esses fatores podem contribuir para melhorar a adaptação dos animais às condições climáticas e tornar os sistemas de produção mais eficientes.
Sustentabilidade e benefícios para os produtores
Os resultados esperados poderão fornecer dados e conhecimentos científicos para o planejamento de ações e a definição de medidas voltadas à melhoria do desempenho ambiental da ovinocaprinocultura, atividade dedicada à criação de ovinos e caprinos.
A expectativa é que os conhecimentos produzidos também contribuam para a sustentabilidade socioeconômica de toda a cadeia produtiva, conciliando melhores resultados para os criadores com práticas ambientalmente mais sustentáveis.
Cooperação internacional
Além da relevância científica e produtiva, o projeto fortalece a internacionalização da pós-graduação da Uece. A professora Ana Paula Rodrigues Ribeiro, pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa e integrante da equipe de pesquisadores, destaca a importância da articulação entre os três países para ampliar a cooperação acadêmica e científica. A instituição executora da proposta é a Uece, por meio do Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias, que possui nota 7 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a mais alta da escala de avaliação dos programas de pós-graduação.
No Brasil, a rede também reúne instituições como a Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (ARCO). Na Argentina, participam instituições de pesquisa agropecuária e florestal, enquanto o Uruguai integra a iniciativa por meio da Universidad de la República.