Biogen/Uece tem projeto aprovado em edital do CNPq e amplia inserção internacional em pesquisas genômicas
18 de maio de 2026 - 14:04
O Laboratório de Biotecnologia e Genômica da Universidade Estadual do Ceará, Biogen/Uece, coordenado pelo professor Flávio Saraiva, alcançou importantes conquistas recentes que reforçam o protagonismo da universidade no campo da biotecnologia, da genômica e da edição gênica. Entre os destaques estão a aprovação de projeto em chamada nacional estratégica do CNPq; a seleção para capacitação internacional em sequenciamento genômico de última geração; e um treinamento no European Molecular Biology Laboratory (EMBL), na Alemanha.
O Biogen/Uece teve projeto aprovado na Chamada CNPq/MS-SCTIE-Decit Nº 30/2025 – Pesquisas Estratégicas em Terapias Avançadas e Terapias Baseadas em Ácidos Nucleicos. Intitulada “Edição por CRISPR/Cas9 por knock-in homólogo de mutações nos genes C9ORF72, SOD1, TARDBP e FUS em zebrafish, associados à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)”, a proposta foi uma das cinco aprovadas no Ceará, sendo a única das universidades estaduais cearenses.
Segundo o professor Flávio Saraiva, o projeto busca promover avanços em estratégias terapêuticas baseadas em edição gênica. “A edição gênica proporcionará uma prova de conceito robusta da tecnologia CRISPR/Cas9, especialmente em uma etapa metodológica voltada ao direcionamento da sequência gênica que deverá ser inserida na região onde se encontra a mutação. O objetivo é promover a correção de mutações associadas à Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), contribuindo para o avanço de estratégias terapêuticas baseadas em edição gênica”, explica o pesquisador.
O projeto foi aprovado com financiamento de R$ 249.854,11. Para o docente, entre os fatores que contribuíram para a aprovação estão o crescimento da incidência de doenças neurodegenerativas nos últimos anos, o potencial da tecnologia CRISPR/Cas9 e a infraestrutura disponível na Uece para o desenvolvimento da pesquisa. “Somam-se a isso as possibilidades futuras de aplicação da metodologia em outras patologias, ampliando o impacto científico e social das pesquisas”, destaca.
Além da aprovação do projeto, o professor também foi selecionado pelo Centro Latino-Americano de Biotecnologia para participar do curso “Sequenciamento Genômico em Nanoporos e Bioinformática para a Análise de Amostras Microbianas”, promovido pelo CNPq para um grupo restrito de pesquisadores latino-americanos. A seleção contemplou apenas 16 vagas distribuídas entre Brasil, Argentina, Uruguai, Colômbia, Paraguai e Peru. A capacitação será realizada no Laboratório de Fisiologia do Desenvolvimento e Genética Vegetal (LFDGV), do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina, em Florianópolis.
De acordo com o pesquisador, o sequenciamento em nanoporos representa uma das tecnologias mais modernas disponíveis atualmente para análise genômica. “Os projetos desenvolvidos pelo Biogen/Uece envolvem o sequenciamento de painéis gênicos, exomas, transcriptomas e genomas completos, além da caracterização de regiões genéticas ainda pouco estudadas. O sequenciamento em sistema de nanoporos traz inúmeras vantagens em comparação aos modelos NGS atualmente empregados e possibilitará uma associação virtuosa na detecção molecular de doenças com uma possível intervenção personalizada no futuro”, ressalta.
O professor acrescenta que o domínio dessa tecnologia será essencial para aplicações futuras envolvendo CRISPR/Cas9 e outras abordagens moleculares. “Poucos laboratórios no Brasil detêm essa tecnologia e, em breve, o Biogen/Uece fará parte desse grupo”, afirma.
Outro destaque é a realização de treinamento no European Molecular Biology Laboratory, em Heidelberg, Alemanha, um dos principais centros mundiais de biologia molecular e genômica. O treinamento envolverá experimentos utilizando a tecnologia CRISPR/Cas9 em células humanas e embriões de camundongos. Segundo o professor Flávio Saraiva, a experiência contribuirá diretamente para o fortalecimento das pesquisas desenvolvidas na universidade.
“Futuramente, essas metodologias deverão ser replicadas no Biogen/Uece, não apenas em benefício dos projetos conduzidos pelo laboratório, mas também para atender demandas de outros laboratórios da Uece interessados na aplicação da técnica”, pontua.
Para o pesquisador, as conquistas representam avanços coletivos da universidade. “Considero essas conquistas como resultados institucionais e coletivos, uma vez que dificilmente seriam alcançadas sem a participação integrada dos diferentes setores da universidade, da administração superior, dos colaboradores e dos bolsistas vinculados ao laboratório. Esses avanços refletem o esforço conjunto em prol do fortalecimento da pesquisa científica, da inovação e da internacionalização da universidade”, conclui.