Ceará perde Ariosto Holanda, expoente da educação, ciência e tecnologia no estado
21 de março de 2026 - 17:02
Em meados da década de 1990, no contexto de estruturação das políticas públicas voltadas à educação superior, à ciência e à tecnologia no Ceará, consolidava-se a atuação de Ariosto Holanda como uma das lideranças mais visionárias do estado. Então à frente da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), apresentou e impulsionou iniciativas que redefiniriam os caminhos do desenvolvimento do Ceará.
Entre essas iniciativas, destacam-se a concepção e a implementação de uma rede articulada de instituições e programas, como as Faculdades de Tecnologia Centec (Fatecs), instituições de ensino superior voltadas à formação tecnológica, com cursos direcionados às demandas produtivas regionais; os Centros Vocacionais Tecnológicos (CVTs), que atuam na qualificação profissional e na difusão de conhecimentos científicos e tecnológicos junto às comunidades e os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), que têm como finalidade promover a inovação, a proteção do conhecimento e a articulação entre pesquisa acadêmica e setor produtivo. Com isso, estruturou-se uma política pública inovadora, baseada na integração entre educação, ciência e tecnologia, projeto que foi conduzido com clareza de propósito a partir da compreensão estratégica sobre a necessidade de interiorizar oportunidades e democratizar o acesso ao conhecimento.
A interiorização constituiu uma das marcas centrais da atuação de Ariosto Holanda. Ao defender a descentralização das ações formativas e tecnológicas, contribuiu decisivamente para um desenvolvimento econômico e social mais equilibrado, com inclusão territorial e ampliação de horizontes para diferentes regiões do estado.
Ao longo de sua trajetória, Ariosto Holanda destacou-se por uma atuação que transcendia conjunturas políticas, pautando-se pelo compromisso com o interesse público e com a construção de políticas estruturantes de diversos segmentos, como a ciência e a tecnologia. Sua contribuição foi determinante para o fortalecimento de uma cultura institucional voltada à inovação, à formação qualificada e à articulação entre diferentes áreas do saber.
A Universidade Estadual do Ceará (Uece) reconhece, nessa trajetória, um legado que dialoga diretamente com sua própria missão institucional. Por isso, em 2014, a Uece concedeu, a Ariosto Holanda, a Medalha Reitor Martins Filho, como forma de reconhecer sua contribuição efetiva para o desenvolvimento da educação, da ciência e da tecnologia no estado.
Mais que um agente público, Ariosto Holanda abriu caminhos importantes para o estado, e sua visão de longo alcance antecipou soluções para demandas específicas e estruturou possibilidades que ainda hoje reverberam entre o povo cearense.
O Ceará perde hoje um grande gestor da educação, da ciência e da tecnologia. Seu legado, no entanto, permanece nas instituições que ajudou a consolidar e nas transformações que promoveu em todo o estado.