Cármen Lúcia fecha celebrações dos 50 anos da Uece com reflexão sobre democracia

17 de março de 2026 - 11:27

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) recebeu, nesta segunda-feira (16), a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, para a conferência magna “Democracia em tempos de desinformação: desafios e perspectivas”. O evento encerrou as comemorações pelos 50 anos da instituição e reuniu autoridades, servidores, estudantes e público externo, consolidando-se como um dos momentos mais marcantes da programação comemorativa.

A conferência foi transmitida ao vivo pelo canal oficial da Uece no YouTube. Em parceria com a Casa Civil, a universidade também disponibilizou telões em área externa ao auditório, permitindo que um público ainda maior acompanhasse a palestra.

A ministra foi calorosamente recebida pela comunidade acadêmica e presenteada, junto à plateia, com apresentação da Orquestra Sinfônica da Uece. Em sua fala inicial, agradeceu com simpatia e emoção pela acolhida: “Tenho uma enorme honra de estar neste que é o meu lugar, que é uma escola”, afirmou, destacando sua trajetória vinculada à educação. Em tom afetivo, celebrou ainda o título de cidadã cearense recebido no mesmo dia: “Hoje, realmente, é uma data especial para mim. Me sinto batizada de novo como cearense”.

Na abertura, o reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares, ressaltou o caráter histórico da presença da ministra: “A sua presença, ministra Cármen Lúcia, é histórica para a nossa universidade, pois é a primeira ministra do Supremo Tribunal Federal a pisar em solo ueceano”. O gestor também destacou a relevância do tema abordado: “Sua conferência ocorre num momento extremamente importante para o país, diante das tentativas cotidianas de erosão da cultura democrática no Brasil”.

A pró-reitora de Extensão, professora Lana Nascimento, enquanto mediadora, enfatizou o simbolismo da escolha da conferencista e do tema, especialmente no contexto das celebrações institucionais e do mês dedicado às mulheres. “A senhora nos orgulha, nos representa e nos faz esperançar num outro projeto de sociedade”, afirmou, ao destacar o papel da ministra como referência para mulheres brasileiras.

Democracia, desinformação e os desafios contemporâneos

Em sua conferência, Cármen Lúcia desenvolveu uma reflexão profunda sobre democracia, desinformação e transformação social. Para a ministra, a democracia não é um dado permanente, mas uma construção cotidiana: “A vida com a democracia se faz todo dia. Nós temos que fazer a democracia acontecer todo dia”.

Ao abordar os riscos contemporâneos, ela alertou para o impacto das novas tecnologias na disseminação de informações falsas. “O que nós temos são mentiras”, afirmou, ao diferenciar desinformação de simples erro ou desconhecimento. Segundo a ministra, fatores como volume, velocidade, variedade, viralidade e verossimilhança das informações dificultam a capacidade crítica da sociedade.

A magistrada também chamou atenção para os efeitos dessas dinâmicas sobre a liberdade de escolha: “Quando você tem uma mentira difícil de ser desfeita, você toma decisões erradas e não livres”. Nesse contexto, reforçou que o direito à informação de qualidade é condição essencial para o exercício democrático.

Outro ponto de destaque foi a defesa da democracia como espaço de liberdade e convivência: “A democracia é a única forma de viver com o outro, que te permite ser feliz”. Para ela, o regime democrático exige compromisso coletivo e permanente vigilância diante de ameaças à sua integridade.

Em um momento de valorização da história e da força feminina no Ceará, a ministra afirmou: “Eu acredito que neste Ceará, de Bárbara de Alencar, de Jovita Feitosa, de Rachel de Queiroz, até Socorro Acioli, nós somos capazes de fazer a nossa parte e mudar o Brasil para ser justo, livre e solidário para todas e todos.”

Ao tratar das desigualdades sociais e de gênero, a ministra trouxe uma das falas mais marcantes do dia: “Decidiram nos matar. E nós mulheres decidimos não morrer”. A declaração sintetizou sua defesa por igualdade, dignidade e participação plena das mulheres nos espaços de poder.

Encerrando sua fala, Cármen Lúcia reforçou a importância da confiança como base da democracia e convocou a sociedade a assumir seu papel ativo na construção de um país mais justo: “Essa construção não é do Estado. Essa construção é da sociedade”.

Agradecimento

Como gesto simbólico de reconhecimento e de agradecimento, a ministra foi presenteada pela Uece com uma obra do artista cearense Ernani Pereira Ferreira, responsável também pelas obras que compõem a galeria de ex-reitores da Uece. Na arte do retrato, o artista desenvolve com precisão a técnica em óleo sobre tela, no estilo hiper-realista.

Ernani é um dos grandes nomes da pintura retratista e histórica no Brasil. Sua dedicação exclusiva a esses gêneros dá destaque às suas obras, que são marcadas pela valorização do detalhe, pelo requinte e pela perfeição.

Clique aqui para assistir à gravação do evento completo.

Veja abaixo fotos da recepção na Reitoria e mais: