Semana de Integração: Uece recebe estudantes para o semestre letivo 2026.1
23 de fevereiro de 2026 - 14:38
Os estudantes foram recepcionados por gestores da Uece e assistiram à palestra “Reparação, ações afirmativas e os movimentos negros no Brasil: a importância da política de cotas étnico-raciais no ensino superior”
A Universidade Estadual do Ceará (Uece) realizou, na manhã desta segunda-feira (23), no Auditório Central do campus Itaperi, a cerimônia de abertura da Semana de Integração 2026.1, marcando o início do novo semestre letivo. O evento reuniu estudantes novatos e veteranos, docentes, servidores técnico-administrativos e gestores acadêmicos, com transmissão ao vivo pelo canal da Universidade no YouTube para os campi do interior.
A programação da Semana de Integração acontece de 23 a 25 de fevereiro em todos os campi da Uece, com o objetivo de promover acolhimento e fortalecer os vínculos entre os diferentes segmentos da comunidade acadêmica.
Luiz Henrique Lima e Noemi Freitas de Silva são dois dos estudantes recém-aprovados no Vestibular; ele em Física e ela em Música. Para ambos, a abertura do semestre simbolizava um sonho realizado.
“Eu estou muito feliz, porque é algo que eu queria há muito tempo. Me sinto orgulhoso, de mim mesmo, além de muito grato. Minha família sempre me ajudou a seguir o que eu queria. Então, eu tenho que muito a agradecer a eles”, ressaltou Luiz Henrique.
Noemi, inspirada em seu avô, que era músico, desde muito cedo sonhava com o curso na Uece. “É o curso que eu queria, na faculdade que eu queria! Estou seguindo os passos do meu avô. É meu sonho, viver da música porque essa é a minha maior paixão”. Com a ajuda do avô, ela aprendeu a tocar os primeiros instrumentos; e hoje ela sabe tocar piano, violão, um pouco de guitarra, baixo, bateria e até saxofone. Entre os planos da jovem Noemi na Uece, está entrar na Orquestra Sinfônica para tocar piano.
Para alegria de Noemi e de todos os presentes no evento de abertura do semestre, a cerimônia contou com apresentação dos estudantes do curso de Licenciatura em Música, Carlos David, no clarinete; Gustavo Silvestre, no violão; e Débora Fonseca, no violino, interpretando obras da música brasileira.
A mesa de abertura foi presidida pelo reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares, e contou com a presença do vice-reitor, professor Dárcio Teixeira; do coordenador do Ensino Superior da Secitece, professor Cândido Bezerra Neto; das pró-reitoras, de Graduação, professora Mazza Maciel; de Políticas Estudantis, Mônica Duarte; de Extensão, Lana Nascimento; e de Planejamento e Desenvolvimento Institucional, professora Helena Araújo; além da representante da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, professora Janaína Santos; e do representante discente Bruno Pinheiro, aluno do curso de Letras.
Em sua fala, o reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares, deu as boas-vindas aos calouros e destacou a dimensão e a relevância institucional da Universidade. “Vocês estão chegando em uma universidade multicampi, a mais interiorizada universidade pública que o Ceará tem hoje”, afirmou, ao ressaltar a presença da Uece em diferentes regiões do Estado. Ao abordar a cultura universitária, reforçou a centralidade do tripé “ensino, pesquisa e extensão” e a defesa do Estado democrático de direito. O reitor também anunciou avanços na política de permanência estudantil, com a ampliação do funcionamento de restaurantes universitários e a isenção da taxa da refeição para estudantes em situação de extrema vulnerabilidade. “Quem financia a universidade pública é o povo do Ceará, e é para este povo que essa universidade precisa sempre se voltar”, destacou, concluindo com uma mensagem de acolhimento: “Que a Universidade Estadual do Ceará fique colada do lado esquerdo do peito de cada um”.
O vice-reitor, professor Dárcio Teixeira, parabenizou os ingressantes pela conquista da vaga, lembrando que “a peneira da Uece não é fácil” e que, a cada edição do vestibular, cerca de “42 a 45 mil alunos” disputam uma oportunidade na instituição. “Vocês conseguiram ingressar com êxito. E agora tem uma jornada muito importante pela frente”, afirmou, destacando que a entrada na universidade representa “virar a chave” na vida acadêmica e profissional. Assim como o reitor, o gestor também reforçou a importância do tripé “ensino, pesquisa e extensão”, incentivando os estudantes a se dedicarem integralmente às atividades universitárias e a acompanharem as oportunidades divulgadas pela instituição. Ao lembrar que 50% do corpo discente é oriundo de escolas públicas, ressaltou o papel social da Uece destacado nesses 50 anos da instituição: “Transformando vidas”. E concluiu: “Contem com a Universidade Estadual do Ceará para o desenvolvimento social de todos vocês”.
Representando as pró-reitorias, a pró-reitora de Políticas Estudantis, professora Mônica Duarte, também saudou os ingressantes e reforçou o papel social da Uece. “Vocês estão de parabéns e são muito bem-vindos à nossa Universidade”, afirmou, destacando que a instituição é “uma das melhores universidades do Brasil e a melhor estadual do Norte e Nordeste”. Ao enfatizar a política de cotas como instrumento de democratização do acesso, ressaltou a importância de garantir também condições de permanência: “O primeiro passo é o ingresso, mas é primordial que a gente garanta cada vez melhores condições de permanência”. A gestora colocou a isenção do pagamento nos restaurantes universitários para estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica como uma conquista de grande importância, fruto do diálogo entre gestão e movimento estudantil. Professora Mônica detalhou ainda as oportunidades de bolsas e auxílios, orientando os estudantes a acompanharem os editais pelo e-mail institucional e pelos canais oficiais da Universidade. “Aproveitem muito a universidade, que vai ser a casa de vocês”, concluiu.
Representando os estudantes, Bruno Pinheiro, do curso de Letras, defendeu a política de cotas como instrumento de equidade e justiça social. Em seu pronunciamento, afirmou que “as cotas não são um favor” e que “não diminuem a capacidade do aluno, nem o prestígio da universidade”, mas constituem uma ferramenta necessária diante das desigualdades históricas do país. O discente destacou que o acesso garantido pelas ações afirmativas não substitui o esforço individual, mas possibilita oportunidades antes negadas. Ao encerrar, reforçou a dimensão transformadora da educação: “vocês são merecedores de estarem aqui e de todo o sucesso que virá pela frente”.
Debate sobre reparação e ações afirmativas
Dando continuidade à programação, foi proferida a palestra “Reparação, ações afirmativas e os movimentos negros no Brasil: a importância da política de cotas étnico-raciais no ensino superior”, pela docente e presidenta do Núcleo de Acompanhamento de Políticas Étnico-Raciais da Uece e pesquisadora do grupo “Emancipações e Pós-Abolição”, Raquel Martins, que iniciou destacando: “Estou aqui ocupando esse espaço com muita honra e desafios, porque essa é uma temática que mexe com a vida de muitas pessoas. Trata-se de um processo recente na história do país, que encontra muitos desentendimentos, conflitos políticos, sobretudo, quando envolvemos a universidade que, historicamente, foi um espaço de poder, que privilegiou por muito tempo uma determinada classe”. Assista à palestra completa clicando aqui.








