PPGCV da Uece é único do Norte, Nordeste e Centro-Oeste com nota 6 na Capes

15 de março de 2021 - 13:33 # #

Três décadas de história, 424 mestres formados, 151 doutores colocados no mercado de trabalho e uma vocação única para inovar, expandir os horizontes, superar desafios e entregar à sociedade profissionais cada vez mais competentes. É assim que o Programa de Pós-Graduação em Ciências Veterinárias (PPGCV) da Universidade Estadual do Ceará (Uece) se destaca no cenário nacional e se propõe a alcançar um conceito ainda melhor na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Hoje, o PPGCV é o único das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste com nota 6 pela Capes na área de Medicina Veterinária, o que significa um desempenho equivalente ao alto padrão internacional. “Vamos trabalhar não apenas para manter a nota 6, que vem se repetindo desde 2007, mas para alcançarmos a nota 7, pontuação máxima conferida pela Capes. A boa avaliação do Programa é fruto do esforço dos professores e da qualidade dos alunos”, afirma a professora Carminda Sandra Brito Salmito-Vanderley, que acaba de assumir a coordenação do PPGCV da Uece.

Para alcançar a nota 7, a coordenadora conta que é necessário continuar fazendo o que já vem sendo feito com excelência – produção científica – e investir para promover a internacionalização do Programa. “Precisamos de incentivo à internacionalização. A gente observa que a troca de informações com universidades de ponta de outros países traz um ganho muito grande para o Programa. Às vezes, há um custo muito elevado para que as tecnologias cheguem ao Brasil. Mas quando enviamos alunos e professores para o exterior, eles trazem uma bagagem de conhecimento de tecnologia e de vivência dentro dos grupos de pesquisa significativa. Muitas vezes, são tecnologias que nem sabemos como funcionam, pois não temos os equipamentos ou a possibilidade de fazer por enquanto. Então, essa experiência internacional engrandece o nosso conhecimento e a qualidade da nossa produção científica”, diz a coordenadora.

Ela destaca que a colaboração com outros países já ocorre no Programa, que possui, inclusive, uma seleção específica para estudantes de outros países, incentiva o intercâmbio e convida pesquisadores de outras instituições de ensino para participarem de bancas de defesa de teses e dissertações. “Precisamos ampliar e fortalecer essa colaboração internacional. A internacionalização favorece a ampliação do conhecimento, que não fica só dentro da Universidade, mas vai para outros países. Hoje, a internacionalização é um dos pontos que a gente realmente precisa trabalhar. A nacionalização também. Uma instituição de ensino ajuda nas lacunas da outra”, avalia a professora Sandra. “Uma palavra para resumir tudo isso seria ‘parceria’. Parceria com instituições nacionais e internacionais”, completa Lorena Mayana Beserra de Oliveira, vice-coordenadora do PPGCV.

Parcerias

As atividades virtuais, acentuadas por conta da pandemia de Covid-19, que impôs o distanciamento como forma de prevenção, têm contribuído para estreitar as parcerias internacionais. De acordo com Lorena Oliveira, os encontros remotos reduziram as distâncias, como em ocasiões em que palestrantes ou membros de bancas de outros países puderam participar de atividades acadêmicas do PPGCV de forma online.

Outra vocação do PPGCV, ressalta Sandra, é fazer com que as ações não fiquem apenas dentro da Uece e contribuam com a formação de estudantes de outras instituições. Para atender esse propósito, o programa de pós-graduação conta com o Programa de Mestrado Interinstitucional (Minter) em Ciências Veterinárias, que promove uma política de interiorização do conhecimento.

“O Minter foi criado para levar o conhecimento a locais mais distantes, favorecendo o crescimento da Medicina Veterinária em locais que contam com esse curso”, explica a coordenadora. Uma das parcerias do programa é com o Centro Universitário Inta (Uninta), em Sobral, que buscou o Minter com objetivo de aprimorar o quadro de professores e de médicos veterinários formados. A primeira turma será concluída na metade de 2021, com sete novos mestres.

A sensibilização social dos alunos também é uma preocupação do programa. Em 2019, antes da pandemia, o PPGCV promoveu visitas dos alunos a áreas agrícolas desfavorecidas no Ceará, a fim de vivenciar de perto a realidade de pequenos produtores. Nessas oportunidades, são promovidos cursos para pequenos produtores e suas famílias. “Essa inserção social está dentro da formação humanística de nossos alunos. No programa temos projetos de ponta e aqueles voltados para a agricultura familiar”, pontua Sandra. “O conhecimento também deve ser expandido para o campo, e não ficar apenas nas revistas científicas. Nós ensinamos e aprendemos com o homem do campo. E o ponto de partida é entender a realidade dele”, acrescenta Lorena.

Produção científica

Conforme a coordenadora, as parcerias são importantes para melhorar os protocolos experimentais e facilitar a publicação de um número maior de artigos em revistas de grande impacto na área das Ciências Veterinárias. “Para publicarmos bem, precisamos trabalhar com tecnologias atuais. Quando nós publicamos mais, os pesquisadores passam a ter um currículo melhor e ficam mais aptos para aprovar projetos. Tudo é muito interligado”, diz, lembrando que o PPGCV já se destaca por sua produção científica, tendo, inclusive, seis teses premiadas pela Capes desde que teve início o doutorado, em 1998. “Isso mostra a excelência do Programa da Uece diante de todas as dificuldades que os programas do Nordeste possuem”, conta. A coordenadora destaca ainda que muitas empresas e financiamentos de projetos estão em regiões distantes do Nordeste, como o Sudeste, e, por isso, o reconhecimento da produção científica do PPGCV da Uece torna-se ainda mais relevante.

Pesquisas

O PPGCV atua com duas linhas de pesquisa – reprodução e sanidade de carnívoros, onívoros, herbívoros e aves de pequenos ruminantes -, que agregam 27 pesquisas. Entre elas, a professora Sandra destaca o estudo com utilização da água de coco in natura e em pó (ACP Biotecnologia) em processos biotecnológicos, do professor José Ferreira Nunes. A partir da criação da empresa incubada ACP Biotecnologia. Em 17 anos de pesquisa, foram geradas 16 patentes, sendo as principais as que envolvem o uso da água de coco em pó. Entre os produtos gerados está a mistura com leite de cabra, composto que apresentou características equivalentes às do leite materno humano, e uma pomada cicatrizante.

Já a pesquisa desenvolvida pelos professores Ricardo Figueiredo e Ana Paula Rodrigues possibilitou a primeira gestação de caprino em ovário artificial no mundo. O feito foi destaque em artigo na revista científica Molecular Reproduction and Development. A técnica visa a preservação da sobrevivência e crescimento in vitro de óvulos fora do organismo materno.

Outro estudo de ponta realizado pelo PPGCV é a transgênese e clonagem em pequenos ruminantes, liderada pelo professor Vicente Freitas. Com apoio da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap), pesquisadores do programa conseguiram produzir embriões de uma espécie de cervídeo, o veado-catingueiro, a partir do processo de clonagem do DNA.

Dentro da área de sanidade animal, destacam-se as pesquisas com microbiologia, parasitologia e farmacologia. Diversos professores renomados, como Marcos Fabio Gadelha da Rocha, realizam pesquisas de ponta que contribuem significativamente para o crescimento do programa.

“Temos muitos expoentes no programa. Além das pesquisas, temos publicações de alto impacto em revistas internacionais. Contamos com um quadro grande de pesquisadores bolsistas do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Todos contribuem para manter nosso padrão”, enfatiza a coordenadora Sandra Salmito-Vanderley. Para consultar as pesquisas em andamento no programa, acesse http://www.uece.br/ppgcv/pesquisa/projetos-e-linhas-de-pesquisa/.

Perfis da nova gestão

A nova coordenadora do PPGCV, professora Carminda Sandra Brito Salmito-Vanderley, tem graduação em Medicina Veterinária pela Uece, mestrado em Ciências Veterinárias pela Universidade Estadual do Ceará e doutorado em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Após o término do doutorado, já na Uece, foi bolsista do Programa de Desenvolvimento Regional do CNPq. Atuou por dois anos como professora efetiva na Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa), no Rio Grande do Norte. Ela ressalta que mesmo quando atuou fora do Estado esteve ligada ao PPGCV, seja como orientanda do professor José Ferreira Nunes, ou como colaboradora da Uece enquanto professora da Ufersa. Esteve na vice-coordenação do PPGCV por quatro anos, antes de assumir a atual gestão como coordenadora.

 

Também graduada em Medicina Veterinária pela Uece, a vice-coordenadora do PPGCV, Lorena Mayana Beserra de Oliveira, tem mestrado e doutorado também realizados no programa. Ao concluir o doutorado em 2012, atuou como professora substituta da Uece. Atualmente é professora adjunta da instituição e atua principalmente nas linhas de pesquisas ligadas à sanidade.