Comissão da Verdade: Juscelino foi vítima de atentado

12 de dezembro de 2013 - 10:15

Repercute no Brasil e no Exterior o relatório da Comissão da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo, acusando a ditadura militar de ter assassinado o ex-presidente da República, Juscelino Kubitschek, em 1976, e forjado a versão de acidente automobilístico.

O documento aponta “90 indícios, evidências, provas, testemunhos, circunstâncias, contradições, controvérsias e questionamentos”, para concluir que o ex-presidente foi vítima de conspiração.

A versão oficial é que o carro em que estava o ex-presidente colidiu com uma carreta após ter sido fechado por um ônibus, na Rodovia Presidente Dutra, quando o veículo se dirigia para o Rio de Janeiro. Além de Juscelino, morreu o seu motorista Geraldo Ribeiro.

A investigação teve como ponto de partida quatro depoimentos fundamentais: o motorista Josias Nunes de Oliveira, que dirigia o ônibus da Viação Cometa, acusado de bater na traseira do automóvel; Paulo Oliver, um dos 33 passageiros do ônibus; Ademar Jahn, que trafegava na rodovia, num caminhão, e testemunhou a tragédia, e o perito criminal Alberto Carlos, que fotografou a exumação do corpo do motorista de Juscelino, em 1996, e viu uma perfuração no crânio, compatível com projétil de arma de fogo, mas foi impedido de fotografá-lo pelos agentes.

A conclusão dos relatos é que o ônibus não abalroou o automóvel: este teria ultrapassado o coletivo, com o motorista de Juscelino já tombado sobre o volante, atravessado a pista na curva e se chocado contra uma carreta (logo após o suposto crime, a família de JK recebeu informações de que um automóvel Caravan emparelhou com o Opala do ex-presidente na estrada antes de o carro sair de controle).

Na época do acidente, Juscelino Kubitschek tinha 73 anos e havia recuperado os direitos políticos cassados pelo regime militar. Estaria em plena articulação para se apresentar como candidato da oposição na eleição indireta, no Congresso, em que pretenderia enfrentar o candidato do regime, João Baptista Figueiredo.

Sabe-se, hoje, que iniciativas de opositores às ditaduras militares do continente despertaram a atenção da Operação Condor – encarregada de eliminar adversários desses regimes. Juscelino seria um deles. Os fatos são extremamente graves e a Nação exige um pronunciamento oficial do Estado brasileiro.

Jornal O POVO/ Editorial  Fortaleza Ceara 12.12.2013