Linha de Pesquisa

 

a) Linguagens, Narrativas e Subjetividades

A linha de pesquisa propõe estudos sobre as experiências dos sujeitos, expressas nas suas multiplicidades de pontos de vista. Partindo da premissa de que a linguagem condiciona a possibilidade de conhecimento e comunicação entre os seres humanos, é preciso ponderar, também, sobre os constrangimentos que essa mesma linguagem impõe para as manifestações do/sobre o passado.
As linguagens são definidoras de culturas e sociedades e se apresentam de formas múltiplas. Neste sentido, a História é compreendida como interpretação que elabora discursos sobre o passado. Esta linha, portanto, busca compreender as vivências a partir das narrativas dos próprios sujeitos, na perspectiva de problematizar o lugar e os sentidos que os mesmos atribuem às suas práticas, construindo, assim suas identidades. Compreende-se o relato das ações dos sujeitos como discursos marcados por múltiplos sentidos, entendidos, portanto, como versões da realidade, que elaboram um enredo e traduzem o passado.
Assim, analisar as narrativas, significa compreender sua construção, ou seja, exige sua decomposição, considerando os fatos, o contexto e os narradores/sujeitos. Desta forma, é preciso avaliar as diversas manifestações disponíveis à pesquisa histórica, tais como: orais, escritas, visuais, sonoras, imagéticas, iconográficas, corporais, audiovisuais, entre outras; pensar sobre os locais de produção, circunstâncias, propósitos, motivações, bem como os circuitos de circulação e recepção de suas mensagens.
Busca-se, ainda, compreender as subjetividades, manifestadas através dos sentimentos, expressos em formas sensíveis de interpretar o mundo por meio do simbólico. Problematizam-se assim, as emoções, os anseios, os receios, as estéticas e as ideias; as sensibilidades na análise histórica, a “tradução da realidade” por meio da explicitação das emoções, sentidos e imaginários tanto individuais quanto coletivos. Portanto, opta-se pelos pressupostos teórico-metodológicos que focalizam as subjetividades que evidenciam, tanto o vivido, como também o desejado, ou seja, o real e o que “poderia ter sido”; em outras palavras, busca-se compreender o simbólico, identificando a capacidade dos sujeitos de atribuir sentido às suas experiências.
 
Professores:

– Prof. Dr. Francisco José Gomes Damasceno
– Prof. Dr. Gisafran Nazareno Mota Jucá
– Prof. Dr. Gleudson Passos Cardoso
– Profa. Dra. Valéria Aparecida Alves
 
b) Poder, instituições e memórias

Esta linha de pesquisa aborda três conceitos centrais que fundamentam as discussões e visam orientar os estudos a serem nela desenvolvidos.
O poder constitui-se como temática central motivada por interesses e posições divergentes que ocupam a dinâmica dos conflitos. As relações de poder compõem a ampla complexidade da trama histórica e vão muito além da esfera econômica e material. Neste sentido, as práticas forjadas pelos sujeitos não concernem apenas ao campo das realizações concretas, elas também se dão no âmbito das ideias, discursos e representações criados pelos atores. As relações entre os indivíduos produzem sentidos que se manifestam nas batalhas e disputas de significados e narrativas dissonantes. A escrita da história é, essencialmente, baseada na descontinuidade e na permanente busca, nem sempre exitosa, da recomposição dos passados a partir dos diversos vestígios da experiência humana.
Em seguida, ressaltamos o papel desempenhado pelas instituições e pela posição que ocupam no contexto de tensões e disputas de poder. As organizações devem, no entanto, ser pensadas na sua diversidade e complexidade, rompendo-se igualmente com a ilusória perspectiva da homogeneidade e do consenso. Tributárias do tempo e do espaço em que estão inseridas, as instituições e os indivíduos que nelas atuam têm motivações e intencionalidades próprias que pautam as suas ações. Assim, ao analisar as instituições é preciso, acima de tudo, pensar o seu contexto, composição, caráter, interesses, ações, estratégias, discursos considerados e narrativas produzidas por e sobre elas.
Por fim, consideramos as memórias produzidas pelas relações de poder e instituições na sua multiplicidade de sentidos, discursos e percepções da realidade. Neste sentido, fica evidente que a produção do conhecimento histórico não se limita aos vestígios materiais e escritos. Compreende-se também a dimensão imaterial dos testemunhos e tradições marcados pela oralidade. Para este esforço teórico-metodológico, o uso da História Oral favorece a valorização das memórias produzidas e marcadas pela subjetividade e singularidades dos sujeitos.
 
Professores:

– Prof. Dr. Altemar da Costa Muniz
– Prof. Dr. Marcos José Diniz Silva
– Prof. Dr. Samuel Carvalheira de Maupeou
– Profa. Dra. Zilda Maria Menezes Lima
 
c) Espaços, Sociedades e Experiências

As tramas da História são tecidas a partir dos contatos, conexões e circulações humanas em determinados espaços. As definições de espaço são múltiplas. De um lado há os espaços territoriais e oceânicos que identificam geografias que possibilitam relações específicas do homem com a natureza. De outro lado há os espaços sociais, urbanos, rurais e cartográficos que remetem para sociabilidades, representações e vivências em ambientes, tanto públicos quanto privados, construídos a partir de dinâmicas que revelam práticas, hábitos, costumes, modas, valores, identidades, dentre outras.
Neste sentido, as sociedades assumem configurações específicas nas suas relações com o espaço e o tempo. As dinâmicas sociais estão inseridas nestes locais e são moldadas pelos seus condicionamentos, ao mesmo tempo em que o próprio ambiente sofre a intervenção dos sujeitos. As relações entre estes lugares extrapolam os limites da territorialidade geográfica; revelam sentidos, representações e percepções que caracterizam diferentes culturas e sociedades, pautadas por diversas temporalidades.
As conexões entre essas sociedades indicam contatos humanos que configuram experiências individuais e coletivas. Neste sentido, as dinâmicas sociais favorecem trocas, materiais e simbólicas, contatos, (des)encontros, cruzamentos, conexões, influências, (re)apropriações, (re)significações, identidades e alteridades. Essas relações produzem e favorecem percepções sobre si e o outro, sobre os espaços internos e externos e diferentes concepções de tempo. Deste modo, as coordenadas de tempo e espaço definem conjuntamente os cenários nos quais acontecem as interações sociais. O tempo é percebido de maneira objetivada, dentro de uma compreensão racionalizada, e subjetivada, evocando significados e experiências sociais que são permanentemente (re)definidas.
 
Professores:

– Prof. Dr. Antônio de Pádua Santiago Freitas

– Profa. Dra. Inez Beatriz de Castro Martins Gonçalves
– Prof. Dr. João Júlio Gomes dos Santos Júnior

– Profa. Dra. Silvia Márcia Alves Siqueira