O presente trabalho aborda aspectos da vida das prostitutas travestis da cidade de Crateús. A pesquisa foi realizada a partir do grupo das prostitutas travestis para desmitificar a concepção que exclui da sociedade uma classe trabalhadora não beneficiada por direitos. O objetivo é propor uma visão mais humana em relação aos direitos dessa classe e buscar uma aproximação com seu cotidiano, muitas vezes desconhecido e permeado de discriminações e violência. A etnografia foi o método do trabalho científico utilizado. Inicialmente foram realizadas visitas a campo para observar o grupo estudado. Posteriormente realizou-se um momento de aproximação para conquistar a confiança por meio de roda de conversa e entrevistas. Os resultados sinalizaram que é urgente a necessidade de visibilidade para garantir o mínimo possível de direitos das travestis que sobrevivem do sexo como fonte de renda imposta e não uma escolha com a necessidade de instituir políticas públicas que garantam a saúde e a segurança dessas trabalhadoras. Concluiu-se que essas pessoas são esquecidas e ignoradas por uma sociedade reprodutora de desigualdade que nega educação, segurança social, saúde entre outras necessidades básicas. Por fim, fica um sentimento de repúdio à opressão e a exploração das prostitutas travestis que estão em situação de risco, exploração e falta de condições de trabalho digno.