INTRODUÇÃO A reinternação pediátrica não planejada constitui um importante indicador de qualidade assistencial, refletindo fragilidades no cuidado pós-alta e na continuidade do cuidado. Este estudo tem como objetivo refletir, à luz do pensamento de Byung-Chul Han, as interfaces entre reinternação pediátrica, inteligência artificial e cuidado de enfermagem no período pós-alta. MÉTODO Trata-se de um estudo teórico-reflexivo, fundamentado na articulação entre literatura científica e categorias filosóficas, especialmente a lógica do desempenho e a sociedade do cansaço. RESULTADOS E DISCUSSÃO A análise evidencia que a reinternação pode ser compreendida como expressão da exaustão do cuidado domiciliar, produzido em um contexto de responsabilização individual e exigência contínua de desempenho. Nesse cenário, o cuidador familiar assume o papel de gestor da continuidade terapêutica, frequentemente sem suporte adequado. A incorporação da inteligência artificial na saúde, por meio de ferramentas de predição de risco e monitoramento remoto, apresenta potencial para qualificar o cuidado e prevenir reinternações. Contudo, tais tecnologias também podem reforçar a lógica produtivista, reduzindo o cuidado a métricas e indicadores. Destaca-se o papel da enfermagem como mediadora crítica entre tecnologia e cuidado, assegurando a centralidade do vínculo e da singularidade das famílias. CONCLUSÃO Conclui-se que a integração entre inovação tecnológica e práticas sensíveis é essencial para qualificar o cuidado pediátrico contemporâneo.