O Diabetes Mellitus (DM) configura-se como uma condição crônica que afeta a população mundial, demandando estratégias cada vez mais sofisticadas para seu manejo clínico. A incorporação de algoritmos clínicos baseados em Inteligência Artificial (IA) tem ampliado as possibilidades de monitoramento glicêmico e apoio à tomada de decisão em saúde. Entretanto, o avanço dessas tecnologias suscita reflexões acerca da definição de normalidade biológica no cuidado à pessoa com diabetes. O estudo objetiva refletir sobre o uso da IA no manejo do DM à luz do conceito de normatividade biológica proposto por Georges Canguilhem. Trata-se de um estudo teórico-reflexivo, desenvolvido a partir de revisão da literatura na Biblioteca Virtual em Saúde e Google Scholar. Embora os algoritmos clínicos contribuam para identificar padrões glicêmicos e orientar condutas terapêuticas, sua lógica baseada em médias populacionais pode limitar a compreensão da singularidade biológica e social dos indivíduos. À luz da perspectiva de Canguilhem, a saúde não se restringe à adequação a parâmetros fixos, mas relaciona-se à capacidade do organismo de instituir novas normas diante das condições de vida. Conclui-se que a IA deve ser compreendida como ferramenta de apoio ao cuidado, articulada ao julgamento clínico e à compreensão ampliada da experiência de adoecimento.