Exposição a poluentes e várias doenças estão relacionadas ao mal funcionamento do transporte mucociliar causando danos sobre a árvore traqueobrônquica pela obstrução a longo tempo, bem como restrição sobre as pequenas vias aéreas com aumento na capacidade de fechamento e tendência a mudanças na relação ventilação-perfusão. Estudo realizado a fim de mensurar o transporte mucociliar, pressões pulmonares e volume minuto em cobaias após a inalação da fumaça de cigarro. A pesquisa foi de caráter exploratório, longitudinal e experimental, com analise dos dados quantitativamente. Foram utilizados cobaios machos, da espécie Cavia porcellus, pesando 300-500g no início dos experimentos. A presente proposta foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa Animal da UFC-CEPA (protocolo nº: 052/10). Os cobaios inalaram de dez cigarros acesos pela manhã, tarde e à noite, somando 30 cigarros/dia. Nesse estudo foram formados dois grupos de seis animais (sacrificados 25 e 50 dias depois da exposição respectivamente) e um grupo naive que não inalou nenhuma substancia. Os cobaias naive obtiveram um transporte mucociliar (cm) de 0,65 ± 0,08, o grupo inalação 25 dias de 0,30 ± 0,03 e os de inalação 50 dias 0,40 ± 0,03. Nesse estudo, a mensuração do transporte mucociliar evidenciou que a inalação passiva de fumaça de cigarro causou danos ao epitélio traqueal de cobaias em curto período após exposição à fumaça. O tabagismo leva a diminuição no transporte ciliar, sendo a tosse um fator de importância para a remoção de secreções. A média (cmH2O) das pressões inspiratórias nos animais naive foi de -9,93 ± 0,94, no grupo de inalação 25 -40,44 ± 9,26 e nos animais inalação 50 dias a pressão foi de -12,95 ± 5,79. A média das pressões expiratórias (cmH2O) nos animais naive foi de 0,58 ± 0,05, no grupo de inalação 25 de 3,60 ± 0,60 e nos animais inalação 50 dias de 4,68 ± 0,77. Observamos que as pressões inspiratórias do grupo de inalação a curto prazo está menos negativo em relação aos grupos naive e ao de longo período após exposição à fumaça de cigarro. Quando analisadas as pressões expiratórias de cobaias in vivo, os grupos de inalação da fumaça de cigarro estão mais positivos em relação ao grupo naive. Estas alterações podem ser interpretadas como uma resposta adaptativa da área respiratória quando submetida a uma agressão crônica. O volume minuto (mL/min) no grupo de animais inalação 25 foi de 403,71 ± 56,18 e o grupo de 50 dias 209,96 ± 27,67. No presente estudo, o volume minuto aumentou significativamente após 25 dias da exposição à fumaça de cigarro. Este fato pode ser explicado pelo aumento da FR e diminuição do pico de fluxo expiratório em indivíduos fumantes. Concluímos que a inalação passiva da fumaça de cigarro exerceu alteração significativa sobre o transporte mucociliar, pressões pulmonares e volume minuto nos grupos de inalação, causando efeitos deletérios no sistema respiratório.