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PRÁTICAS URBANAS

 

Docentes vinculados à Linha

Prof. Dr. Antônio de Pádua Santiago de Freitas

Prof. Dr. Erick Assis Araújo

Prof. Dr. Gleudson Passos Cardoso

Prof. Dr. Marco Aurélio Ferreira da Silva

Prof. Dr. Marcos José Diniz Silva

Prof. Dr. Samuel Carvalheira de Mapeou

Falar da linha de pesquisa Práticas Urbanas implica, antes de tudo, em dizer da nossa prática acadêmica e das diferentes trajetórias do ponto de vista da formação individual, dos projetos de pesquisas, das escolhas historiográficas, das mudanças operadas no curso da história e, sobretudo, da nossa opção teórica nitidamente balizada pela História Cultural, seja com relação as referências conceituais ou das abordagens, numa busca constante de utilizar novos conceitos para a formulação de novos objetos e problemas não contemplados pelas abordagens historicistas ou das vertentes econômico-sociais.

            Os historiadores se afastaram dos esquemas teóricos generalizantes e voltaram sua atenção para os valores de grupos particulares, em períodos e lugares específicos. Nessa perspectiva as distinções culturais passaram a ter um lugar privilegiado em detrimento da importância antes conferida aos elementos políticos e econômicos. Por isso, como observa Burke, a dimensão simbólica e a busca de suas interpretações tornaram-se o terreno comum para os historiadores que caminhavam abrindo novas trilhas na realização de seu ofício  de outras áreas do saber.   

            Portanto, esse campo já nasce hibrido do ponto de vista dos modelos teóricos e metodológicos, que vieram enriquecer o fazer histórico. Estes modelos foram assim sistematizados por Linn Hunt: “história cultural de Michel Foucault”; “massas, comunidade e ritual na obra de E. P. Thompson”; “saber local, história local: Geertz e além” e na “literatura, crítica e imaginação histórica, o desafio literário de Hayden White e Dominik La Capra”.    

Aqui, gostaríamos de ressaltar a importância das “Práticas” como um dos mais  importantes paradigmas da História Cultural, uma vez que possibilitou uma virada na direção do entendimento das mais diversas atividades. Desta forma, segundo Burke, o interesse do historiador passou a recair sobre “a história das práticas religiosas e não da teologia, a história da fala e não da linguística, a história do experimento e não da teoria científica”. Essa virada, de que fala Burke, foi representado por Norbert Elias que enfatizou a história das maneiras à mesa e sua relação com o autocontrole; por Bourdieu, cuja contribuição inspirou pesquisas sobre a distinção social, com ênfase na relação entre objetos e consumidores; por Foucault que nos seus estudos sobre a prisão, o asilo, etc., nos introduziu nas práticas disciplinares; por Corbin, com seus estudos sobre a maritimidade e os odores aproximou as práticas das sensibilidades e por Chartier, que com suas pesquisas sobre literatura, nos encaminhou para as práticas de ler e escrever. Estes são apenas alguns exemplos paradigmáticos apontados por Peter Burke, porém a lista poderia ser ainda mais diversa.

No entanto, é indispensável reconhecer a fecundidade do aporte teórico de Michel de Certeau, que tem um lugar particular nos nossos estudos. Sua importância se deve as análises sobre “táticas”, a partir do diálogo que trava com Bourdieu, naquilo que o sociólogo francês denominou de estratégias. Nesse caso, a crítica certeauniana incide essencialmente sobre o conceito de “Habitus”, pois no entendimento de Certeau se fundamenta na ideia de que as pessoas comuns não têm consciência do que realizam no decorrer da sua existência. Para o autor, o homem ordinário está sempre inventando e reinventando o cotidiano. Para tanto, lança mão de uma rica inventividade que revela uma atuação ativa na elaboração de táticas com os diversos fios que compõem a complexa malha da vida cotidiana. 

            Com isso, nossa leitura sobre as “práticas” em Certeau, nos leva a pensar como trataremos o urbano, dando visibilidade aos seus usos e destacando a dimensão da inventividade de seus usuários. Nesse caso, há um deslocamento do conceito de “cidade” para o de “práticas urbanas”, onde estas são “microbianas, singulares e plurais que um sistema urbanístico deveria administrar ou suprimir e que sobrevivem a seus perecimentos”. Porém, estas “práticas” estão “muito longe de ser controladas ou eliminadas pela administração panóptica, pois se reforçaram em uma proliferação ilegítimada, desenvolvidos e insinuados nas redes da vigilância, combinados segundo táticas ilegíveis, mas estáveis a tal ponto que constituem regulações cotidianas e criatividades sub-reptícias que se ocultam somente graças aos dispositivos e aos discursos, hoje atravancados, da organização”.

Portanto, as “práticas”, enquanto paradigma da história cultural tem influenciado nossa linha de pesquisa, sobretudo no que diz respeito aos projetos que privilegiam o estudo da produção e do consumo de objetos, das atividades ligadas a cozinha e a alimentação, das normas, costumes e sistemas de representações, das ações governamentais e de controle da população e das práticas letradas no espaço urbano. Nesta perspectiva, portanto, nossas preocupações estão para além da reflexão, das imagens, das análises institucionais sobre a cidade, e se concentram nas operações dos praticantes na medida em que as inventam.

Analisar as espacialidades urbanas nos leva, no caso específico da nossa linha de pesquisa, a pensar nos aspectos importantes da mutação geral das práticas urbanas ao longo dos períodos variados da história e seu impacto nas transformações reais e simbólicas. Pois, cada tempo histórico constitui uma maneira de viver e de falar sobre e na cidade. Essa constituição é sempre definida a partir do contraste rural e urbano que nos interpela sobre a capacidade do tecido urbano de prender em suas malhas todos os territórios em função dos desejos e das necessidades dos seus praticantes.

 
 

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