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MEMÓRIA, ORALIDADE E CULTURA ESCRITA

 

Docentes vinculados à Linha

Prof.Dr. Altemar da Costa Muniz
Prof.Dr. Francisco Carlos Jacinto Barbosa
Prof.Dr. Francisco José Gomes Damasceno
Profª.Drª. Georgina da Silva Gadelha
Prof.Dr. Gisafran Nazareno Mota Jucá
Profª.Drª. Silvia Márcia Alves Siqueira
Profª Dra Sônia Maria de Meneses Silva
Profª.Drª. Valéria Aparecida Alves
Profª. Drª. Zilda Maria Menezes Lima
Prof.Dr. William James Mello

A linha de pesquisa “Memória, Oralidade e Cultura Escrita,” do Mestrado Acadêmico em História, MAHIS, da Universidade Estadual do Ceará, UECE, foi pensada como uma chance de incrementar novas abordagens da História para além das fronteiras temporais e territoriais.

Entretanto, “Memória e História”, “Oralidade e História”, ”História Oral não constituem uma opção metodológica exclusiva, pois necessita da contribuição da “Cultura Escrita.” Afinal, se múltiplos são os temas evocados pelos pesquisadores, no campo da história, diversas são as modalidades de explorá-los, graças à diversidade de fontes a serem descobertas e à metodologia elencada, onde oral e o escrito não se excluem, mas se aproximam como objetos de análise do pesquisador.

Nessa perspectiva, a linha temática Memória, Oralidade e Cultura Escrita procura transpor os limites, impostos pela tradição, entre memória e História, explorando outras dimensões metodológicas, que possibilitam novas interpretações, em especial, aquelas embasadas nas relações entre oralidade e cultura escrita.

 Esta linha temática considera não apenas a inter-relação resultante das funções desempenhadas pelo discurso escrito em uma sociedade de cultura escrita, mas também busca revelar o peso dos discursos e suas estratégias, por via da oralidade, nas sociedades de culturas ágrafas, mistas e mesmo de cultura escrita.

A busca da compreensão da Memória, da Oralidade e da Cultura Escrita nos remete a uma análise do significado do “Tempo Histórico”, onde as noções de “passado, presente e futuro” não se distanciam, mas se complementam, afinal a imbricação entre elas constitui o pano de fundo do cenário da história.  

O passado não se dilui no presente, nem o futuro se liberta do passado, daí a importância do reconhecimento da relevância da oralidade e da memória, como conceitos que fundamentam as novas perspectivas de análise. Assim, a cultura escrita não pode ser desvalorizada, mas repensada em virtude dos novos desafios, que ela nos apresenta.

Nesse sentido, suas problemáticas giram em torno das formas de conceber a cultura escrita enquanto espaço de inserção social. O texto, sendo ferramenta de ação dos agentes sociais em evidência (intelectuais católicos, trabalhadores letrados, militantes socialistas) permite entender as condições históricas da produção escrita, as estratégias de publicação e reprodução dos conteúdos, as redes de sociabilidades. Uma possibilidade de trabalho no tocante à Memória, Oralidade e Cultura escrita, se constitui a partir do mapeamento das diferentes práticas letradas nos espaços urbanos do Estado do Ceará, compreendendo que a produção intelectual desenvolvida pelos agentes letrados (poetas, romancistas, jornalistas, bacharéis, políticos, memorialistas, etc) bem como suas metáforas, imagens e símbolos presentes no texto, possibilitam compreender a dimensão das demandas “civilizadoras” anunciadas e configuradas pelos agentes letrados, além de identificar os nichos políticos por onde esses indivíduos se fizeram representar na vida pública.

A História da cultura escrita possibilita conhecer a história das representações ou do próprio imaginário, na medida em que  une o poder dos escritos à leitura, à escrita e à visualização dos mesmos como categorias mentais e socialmente diferenciadas.

Nesse sentido, as relações de gênero representam uma dimensão das relações sociais e possibilitam perceber como o masculino e o feminino têm sido e ainda são representados no decorrer da História. Portanto, mulheres e homens podem ser repensados em determinados contextos, para além dos limites temporais e espaciais, reconhecendo a importância das idéias sobre gênero tanto para a compreensão da cultura antiga como na contemporaneidade. Masculinidade e a feminilidade são categorias socialmente construídas e representadas e que, na Antigüidade, assim como, na modernidade, os significados dessas categorias e os valores inerentes a elas são produtos culturais, e não, “dados” de natureza biológica.

Estratégias, práticas, poder e dominação também se reflete nos “Mundos do Trabalho” em todas as suas modalidades. Esta proposição, como temática e objeto de pesquisa histórica, é central para entender a organização e o desenvolvimento das sociedades, independente do recorte temporal, região ou país. Nesse sentido, entendemos o trabalho como uma função social que organiza e estrutura a sociedade e cuja influência ultrapassa a atividade econômica incorporando atividades socioculturais e políticas.  

Assim, entendemos o campo do trabalho no sentido amplo, buscando aprofundar o papel dos trabalhadores e sua formação como processos plurais onde a cultura, a organização, a estrutura e o desenvolvimento da sociedade se tornam objetos da investigação histórica em seus mais variados aspectos socioculturais

Desse modo, o trabalho numa perspectiva histórica, forma e é informado pela pesquisa transdisciplinar, com base na pluralidade teórica e metodológica. A atividade política, a representação, a memória, a cultura escrita dos trabalhadores são analisadas com o objetivo de estabelecer níveis de compreensão, acerca de uma cultura do trabalho, em que estão inseridos os mais diversos atores sociais. Neste mesmo viés, o trabalho e as relações sociais por ele produzidas são bases importantes, onde se inicia a atividade política dos trabalhadores, sendo essencial para uma historiografia em que  interagem  política e a cultura.

Com a entrada em cena de novos grupos sociais, portadores de novas questões e interesses destacamos na última década o pleno florescimento de uma área de estudos que se convencionou chamar de História da Saúde e das Doenças. Entendemos como objetos privilegiados da área de estudo em questão, as doenças crônicas, endêmicas e epidêmicas, as implicações sócio-culturais advindas das suas manifestações nos vários espaços históricos; os instrumentos de controle médico e social bem como o ponto de vista dos pacientes e familiares envolvidos nessa teia complexa.

Vemos as doenças e seus cuidados em diferentes contextos, não apenas nos seus aspectos biossociais, como uma “criação cultural” que muda de explicação, de feição e métodos de cura a partir da época e da sociedade que acomete e cujas implicações traz à luz, a complexa rede que liga a enfermidade, os acometidos, os médicos, as práticas de cura, os conhecimentos científicos, as práticas sanitárias e as políticas públicas e, por  fim, as representações construídas sobre as moléstias, sejam elas escritas ou orais. Por outro lado, a compreensão da saúde e da doença como elemento de desarticulação social e ao mesmo tempo articulador de práticas possibilitadoras de projetos de saúde coletivos constitui um ângulo de singular importância para as reflexões nesse campo.

         Dessa forma a linha de pesquisa  Memória, Oralidade e Cultura Escrita, com sua diversidade de objetos, fontes, metodologias, recortes espaciais e temporais, expressos na produção docente, discente e dos grupos de pesquisa, busca contribuir para os debates historiográficos na atualidade com vistas à articulação com diferentes programas e pesquisadores, no intuito de contribuir nos debates e questões que inquietam a nossa contemporaneidade.

 

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