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    Criado em 2006 e recomendado pela CAPES com conceito 3, tem o objetivo de estimular a investigação e as reflexões no campo da História, possibilitando a qualificação de pessoal para o Ensino e a Pesquisa.

 

 


Áreas de Concentração: HISTÓRIA E CULTURAS

 

      A formulação conceitual “História e Culturas” foi construída a partir do diálogo entre experiências de pesquisas pessoais e as re-elaborações contextuais experimentadas e reveladas na formação acadêmica do corpo docente do MAHIS (graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado). Esta formação foi inscrita num contexto de debate entre quadros paradigmáticos cuja cultura é o conceito convergente. Algo também facilmente percebido nos temas orientados nas monografias de graduação da UECE (Universidade Estadual do Ceará) e nas dissertações do MAHIS. Nesse sentido, um levantamento quantitativo e uma análise de conteúdo dos trabalhos revelam a predominância de um conjunto de conceitos convergentes e delineadores do que se entende por cultura.

     Aprendemos com Sahlins que analisar os indivíduos de uma determinada cultura, é trabalhar sobre as interpretações tanto do presente quanto do passado em que vivem, permeadas de concepções específicas sobre tempo e espaço. Nosso tempo e espaço seria o da cultura capitalista. Por isso que o antropólogo americano defende que o conceito de cultura serve, antes de tudo, para testemunhar as formas de resistências dos grupos culturais no mundo, na medida em que o “processo civilizador capitalista se expande”. Resistência na interação com o capitalismo sem perder o sentido de pertença aos seus grupos de origem. Estes bricolam o sentido atribuído pelo capitalismo às coisas, criando, assim, novas identidades para os objetos usados, modos de ser e de agir.

     Esta perspectiva, numa certa medida, comunga com a de Certeau, para o qual há uma dominação relativa da cultura da sociedade de consumo que se caracteriza pela influência do urbano, da mídia, da publicidade, mas que, apesar de ser “racionalizada”, disciplinar, expansionista, centralizadora, sofre a deformação efetivada pelos usuários. O instrumento destes usuários seria a astúcia invisível que tomam o cuidado de não deixar digitais comprometedoras. Por isso que Certeau afirma com um claro prazer que as pesquisas sobre cultura devem ser direcionadas para “as ações culturais que constituem movimentos”. O que nos leva a pensar nas “criações, nas coerências legais e contratuais” que se inscrevem enquanto trajetórias, “não indeterminadas, mas inesperadas, que alteram, corroem e mudam, pouco e pouco, os equilíbrios das constelações sociais.”

     Não se trata mais do caráter específico da natureza humana. Ou seja, da montagem da autonomia da razão na compreensão dos homens como fundamento do desenvolvimento, da busca para se colocar o homem no estado de civilização, ou seja superioridade e, assim, romper com a ignorância e as superstições. Também não se restringiria a produção de fenômenos que, através da representação das estruturas materiais, que contribuiriam para a reprodução, a reelaboração ou transformação do sistema social. Então, a cultura, como diz Canclini, diz respeito a todas as práticas e instituições dedicadas à administração, renovação e reestruturação do sentido.

     Apesar do aporte de Sahlins, de Geertz e de Claclini temos certeza que a história da introdução do conceito de cultura na disciplina História e mesmo o próprio conceito é complexo e controverso. Essa dificuldade requer uma maior atenção que não cabe nesse texto. No entanto, percebemos que a fascinação dos profissionais de história pela questão ganhou dimensão insofismável. Talvez por isso a advertência de Marc Augé tenha chegado em bom momento. Segundo, o pensador francês, “tudo o que afasta da observação direta do campo, afasta também da antropologia, e os historiadores que têm interesses antropológicos não fazem antropologia”. Poderíamos afirmar ainda que não fazem sociologia, psicologia ou outra disciplina “auxiliar”. Constatação que, por outro lado, e, malgrado a interdisciplinaridade, nos faz admitir que “o antropólogo que tem e deve ter interesses históricos não é, nem por isso, stricto sensu, um historiador”. O que o antropólogo francês pretende com essas assertivas é precisar “os procedimentos e os objetos” de cada disciplina. Isto porque, trabalhos de historiadores (Ginzburg, Le Goff ou Leroy-Ladurie) que mergulham na antropologia, devem ser vistos como “mais elevado interesse para os antropólogos, mas são trabalhos de historiadores: têm relação com o passado e passam pelo estudo de documentos”.

     O que Augé, com bom senso, nos adverte é que, apesar de utilisarmos ferramentas da antropologia, continuamos historiadores. Não possuímos a observação direta do campo, como ele mesmo constata, porque nosso trabalho é muito mais “arqueológico”: trabalhamos com os sentidos inscritos nos diversos vestígios deixados pelos grupos sociais. Esta prática tem revelado nossas grandes orientações na utilização da cultura no ofício do historiador.

     Nessa perspectiva os significados das distinções dos conceitos de cultura passaram a ter um lugar privilegiado em detrimento da importância antes conferida aos elementos políticos e econômicos. A dimensão simbólica e a busca de suas interpretações tornaram-se o terreno comum para os historiadores que caminhavam abrindo novas trilhas na realização de seu oficio. Dai resultaram trabalhos sobre gênero, minorias étnicas e religiosas, grupos sociais com seus hábitos e costumes, sensibilidades, concepções de saúde e doença, relacionamentos com e conceituação da natureza etc.  

     Quando conceituamos cultura, estamos nos referindo ao recorte e a análise das “representações” e das “práticas sociais” na qual se produzem as estruturas representativas, seja na sua perspectiva vertical ou horizontal, que é a característica fundamental do MAHIS. Ou seja, nossa área de pesquisa vislumbra tanto a produção intelectual, das idéias quanto às representações produzidas pela cultura material em espaços rurais e urbanos. Nesse sentido, vislumbramos a cultura no plural e pensamos em termos de culturas: culturas urbanas e cultura rural; saber-fazer erudito e saber-fazer das camadas populares; saber-fazer científico e saber-fazer cotidiano; saber-fazer no laboratório e saber-fazer nas ruas, nas áreas de risco, nas favelas, nos bairros, nos shoppings; cultura da memória e do esquecimento; das práticas de memória: oral, escrita e edificada. Culturas e saber-fazer em busca da neutralização das dicotomias e em busca das imbricações entre as categorias culturais e os níveis sociais.

     As influências permitidas pela área de concentração do MAHIS traduzem a utilização de conceitos como cotidiano e mentalidade difundidos pela historiografia francesa- iniciada no Brasil a partir da década de 1970; da micro-história italiana com o conceito de circularidade de Carlo Ginzburg e Giovanni Levi; da vertente literária de Roger Chartier,que colocava seus pés tanto na tradição dos Annales como na perspectiva totalizante, enfocando as representações.

     Uma perspectiva de História e Culturas de tal amplitude não poderia ter como objetivo senão o da restauração das realidades passadas através das práticas,representações de seus atores na produção de suas diversidades de identidades e pertencimentos e das sensibilidades contextuais dos pesquisadores.

      Por outro lado, História e Culturas não significa uma abrangência inesgotável de temas. Temos nossos campos temáticos, mais ou menos circunscritos nas linhas de pesquisas: “Cultura e Cidade”, “Cultura e Literatura”, “Cultura, Memória e Historiografia” e “Cultura e Ciência”. Campos amplos mesmo nas suas especificidades, mas que, no entanto, definem nossa preocupação com a cultura no plural. Ou seja, História e culturas.

 

 

 

 

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