HIPOGLICEMIA E EXERCÍCIO FÍSICO EM RATOS SOB RESTRIÇÃO ALIMENTAR DESDE O NASCIMENTO.

VILMA A FERREIRA DE GODOI

Co-autores: MALTA, ANANDA, BABATA, LUCAS KAZUNORI RUBIRA, VILELA, VANESSA RODRIGUES e PEDROSA, MARIA MONTSERRAT DIAZ
Tipo de Apresentação: Pôster

Resumo

 

Introdução: Sendo a glicose o combustível energético primordial para o sistema nervoso central, a manutenção de concentrações plasmáticas adequadas de glicose, independente do momento nutricional do indivíduo (alimentado, desnutrido, em jejum, etc.) é uma condição vital. Além disso, circunstâncias como exercício físico conhecidamente interferem com o metabolismo glicêmico. Os principais mecanismos e processos homeostáticos da glicemia envolvem a insulina e seus contrarreguladores hormonais e neurais. A sensibilidade à insulina está aumentada em roedores sob restrição alimentar, o que pode acentuar a predisposição e a severidade de crises de hipoglicemia. Este trabalho foi planejado para avaliar o metabolismo sistêmico da glicose durante episódios de hipoglicemia, precedidos ou não por exercício, em ratos jovens submetidos a restrição alimentar desde o nascimento. O efeito da administração de glicose durante a hipoglicemia também foi investigado.

Material e Métodos: Ratos Wistar machos foram divididos em Grupo Controle (GC): criados em ninhadas de seis filhotes, com ração à vontade desde o desmame; Grupo Restrição (GR): ninhada de doze filhotes, com suprimento de ração correspondente a 50% da ingestão alimentar do GC após a lactação.Todos os experimentos foram feitos com animais de 45-60 dias de idade, pela manhã após jejum noturno. Os animais receberam injeção i.p. de insulina (1 U/kg) para induzir a hipoglicemia. A glicemia foi acompanhada por 300 minutos. A glicose foi administrada oralmente 15 minutos após a injeção de insulina. O exercício físico consistiu em uma sessão aguda até a fadiga, seguida pela hipoglicemia induzida por insulina.

Resultados: A restrição alimentar prolongada causou uma hipoglicemia mais severa, retardo na recuperação glicêmica, e menor grau de recuperação da glicemia em comparação com os animais controles, provavelmente pela maior sensibilidade à insulina, mas outros fatores podem estar envolvidos, tais como redução na resposta dos contrarreguladores. A administração oral de glicose 15 minutos depois da insulina agravou ainda mais a hipoglicemia do GR após a primeira hora. Esse efeito, também observado em animais controles, deve ser resultado da inibição da ação dos contrarreguladores pela glicose. O exercício físico melhorou o quadro glicêmico do GR em relação ao GC: elevou a glicemia basal, retardou a instalação da hipoglicemia e melhorou a sua recuperação. O aumento no consumo de ácidos graxos pelo músculo em exercício, com concomitante economia de glicose, poderia explicar a redução na sensibilidade à insulina depois de exercício extenuante nos ratos do GR. Contudo, levando em consideração que as reservas lipídicas dos animais desnutridos eram relativamente pequenas, é possível que uma maior reserva de glicogênio, tanto no fígado como no músculo, tenha contribuído para a hipoglicemia menos severa do grupo GR após o exercício. O exercício foi benéfico para o GR porque melhorou a glicemia durante a instalação e a recuperação da HII. A liberação de hormônios hiperglicemiantes e a acentuação da atividade simpática promovidos pelo exercício, e possivelmente as maiores reservas de glicogênio podem ter tido um papel importante.

Conclusão: A comparação entre animais alimentados livremente e aqueles criados sob restrição alimentar mostrou que estes têm hipoglicemia mais severa; por outro lado o exercício agudo, nas condições experimentais deste trabalho, favoreceu uma melhora da glicemia basal e pós-insulínica dos animais do GR, um efeito benéfico que perdurou por todo o período de 300 minutos.